
Em uma aula de Administração de Recursos Humanos, discutíamos sobre políticas de remuneração, avaliação de desempenho e desenvolvimento. A professora dava ênfase que, para uma empresa ter sucesso, seus colaboradores devem estar satisfeitos, com o salário, com o cargo, com o ambiente da empresa, etc, etc... E para isso, é necessário que exista, dentro da organização, uma política de remuneração justa, avaliações de desempenho que realmente apresentem resultado com uma promoção ou um aumento de salário, no mínimo.
Não seria novidade dizer que, nesse momento, um dos alunos fala o que todos os outros estão pensando, mas ninguém tem coragem de dizer: - “Professora, isso não existe, na vida real não é assim”. A professora de imediato responde: - “Realmente, é difícil encontrar uma empresa que satisfaça totalmente os desejos de seus funcionários, mas é para isso que vocês estão aqui, para fazer a diferença”.
Muito bonito, levarei isso para o resto de minha carreira, mas a questão continua.
Existe organização perfeita, onde seus funcionários estejam completamente satisfeitos com seus salários, seus cargos, ambiente de trabalho e tantos outros fatores que fazem à diferença em uma empresa? Será que os administradores que administram suas empresas não tiveram Gestão de Pessoas? Ou não assistiam às aulas? Talvez, o problema está no administrador da empresa que não tem CRA. Grande desculpa. Excelente colocar a culpa em outros profissionais para a situação atual das empresas. E por que os profissionais de administração não estão lá? Pode ser outra coisa também: isso seria extremamente normal, já que nenhum ser humano se contenta com o que tem, vai sempre reclamar do seu trabalho. Mais uma: Sabe aquela história que, quanto mais se ganha, mais se gasta? Então, o salário – pelo menos – nunca seria o suficiente.
Tudo bem, pode não existir uma organização perfeita, mas existe aquela que corresponda as suas expectativas. Aquela empresa que, sabe-se lá porque, você sente prazer em estar lá. Talvez o salário não seja tão bom, mas quando você terminar sua faculdade, seu chefe vai te promover, ou te indicar, e você sabe que ele tem palavra. BINGO! Palavra.
Sou estagiária de uma empresa do setor público, sei que daqui alguns meses serei obrigada a sair de lá, pois acaba o meu tempo de estágio permitido por Lei. Também não ganho muito bem, mas gosto de lá. Quando preciso fazer algo particular nas proximidades da empresa, sempre passo por lá, chego mais cedo, ou saio mais tarde. Isso significa que me sinto bem em meu ambiente de trabalho. Os outros fatores como salário e oportunidade de crescimento são importantes também, entretanto não são o forte dessa empresa. Mas gosto de lá. Por quê? Porque sei de tudo isso.
As maiorias dos funcionários insatisfeitos, estão esperando a um bom tempo a promoção esperada, ou o aumento de salário prometido, o reconhecimento de seu superior pelo seu trabalho magnífico. Tudo isso porque um dia, na entrevista de emprego isso foi mencionado. A empresa faz sua propaganda e não cumpre depois. Você pensa que aquela empresa é perfeita para se trabalhar, mas quando entra lá vê que não é bem assim.
Estamos preparados para trabalhar sob pressão, fazer muita hora-extra, apresentar resultados excelentes, desde que as promessas sejam cumpridas ou que estejamos cientes da realidade da empresa. Se não há possibilidade de aumento de salário ou promoção, não se deve apresentar essa proposta.
Estamos longe de colocar em prática as teorias de organização perfeita. Mas se tivermos palavra, as coisas podem ser diferentes. Dentre tantas coisas que deixam um funcionário satisfeito com a empresa, a principal é, por incrível que pareça, a sinceridade.